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Mesmo argumento, dois dragões diferentes

janeiro 28, 2012

Quando eu soube que seria feita uma nova adaptação para o cinema de Os homens que não amavam as mulheres (traduzido do sueco para o inglês como The girl with the dragon tattoo – pelo visto as traduções aleatórias não ocorrem somente aqui no Brasil, não é?), me perguntei: “Mas por que fazer uma nova adaptação se a sueca é tão recente, de 2009”? Mudei de ideia em pouco tempo ao descobrir que a direção seria do David Fincher, um dos diretores que mais admiro em Hollywood (Clube da Luta sempre encabeçará meu top 5). Quando soube que a trilha sonora ficaria por conta de meu amado Trent Reznor (não consigo conter minha idolatria), headmaster do  Nine Inch Nails, aí uma pesada ansiedade teve início. É a segunda vez em que Fincher e Reznor trabalham juntos; a primeira foi em A Rede Social (The Social Network, 2010), o polêmico e aclamado filme sobre a criação do Facebook.

Os homens que não amavam as mulheres é baseado no primeiro livro da famosa trilogia Millenium, de Stieg Larsson. A trama gira em torno do jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig), convidado por um milionário industrial sueco para investigar um antigo mistério que assombra sua família, o desaparecimento de sua sobrinha Harriet. Junto da jovem hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara), Blomkvist se isola em uma ilha gelada onde vive a misteriosa família à procura de pistas que levem à resolução do enigma, que vão desde a análise de fotos e documentos antigos a entrevistas com envolvidos, que parecem sempre estar tentando esconder alguma coisa. Temas pesados vão sendo apresentados ao longo da narrativa (abuso sexual, assassinatos em série, nazismo), tornando-a cada vez mais tensa e complexa.

Embora o argumento seja o mesmo e as locações bastante similares, as duas adaptações parecem produtos diferentes. Fincher prova mais uma vez que merece todo o status que lhe atribuem. Ele é definitivamente um Midas da cinematografia. Eu sei, estou rasgando elogios aqui. Mas é que mesmo que eu soubesse tudo o que estava por vir ao longo da trama, o filme conseguiu me prender do início ao fim das quase 3h de duração, sentindo toda a expectativa de uma primeira vez.

Em relação aos atores, Daniel Craig se encaixou muito bem ao papel de Blomkvist. Embora alguns torçam o nariz para o ator, eu gosto bastante dele fazendo papeis dramáticos. Na versão sueca o personagem também foi brilhantemente interpretado pelo ator Michael Nyqvist – que, por sinal, tinha mais cara de jornalista, já que estava um pouco fora de forma (convenhamos, não vamos encontrar por aí jornalistas com o sensacional corpo do Craig).

Já a Lisbeth da adaptação sueca (Noomi Rapace) é mais bruta, com músculos definidos e aparência mais masculinizada. A da americana é mais magra e frágil, mas nem por isso deixa de ser badass. As duas atrizes tiveram ótimo desempenho, fica difícil escolher a melhor. Acho que consegui sentir mais empatia pela segunda, embora a sueca aparentasse mais ser alguém com os problemas de uma vida dura e sofrida.

Quanto à trilha sonora, deixando meu lado groupie de lado, o sucesso da união Fincher-Reznor se repete mais uma vez. Aliás, chuto que essas duas mentes criativas devam trabalhar juntas em outros filmes – tem tudo para ser um novo Tim Burton + Johnny Depp. As músicas combinam perfeitamente com as cenas, conferindo a estas tanto tensão e expectativa quanto fazendo-as fluir no ritmo certo. O poderoso cover de Karen O ( vocalista do Yeah Yeah Yeahs) para o clássico Immigrant song do Led Zeppelin, que toca na abertura junto com uma animação fantástica (abaixo), é simplesmente arrepiante (estou viciada desde que foi divulgado).

 

Minha intenção não é analisar qual adaptação ficou mais fiel, pois para isso eu teria que ter lido o livro. No entanto, quando uma história é adaptada de outro meio – seja ele um jogo de videogame, um roteiro original ou um livro – ela se torna produto com vida própria.  Se for para escolher um dos dois filmes, fico com a versão de Fincher, que funcionou melhor na tela. A história fluiu muito bem graças a uma edição vigorosa e filmagem criativa (explorando diversos ângulos), marcas do diretor. As peças do quebra-cabeça vão se encaixando muito bem ao longo da história. Diversos detalhes que haviam ficado de fora da versão sueca aparecem nessa adaptação, dando muito mais profundidade e sentido à narrativa.

Sinceramente, o único detalhe que para mim destoou um pouco do resto do filme foi a cena final. Achei forçada, pois me pareceu que não correspondeu com a personalidade da personagem sentir ciúmes. Não vou dar spoilers aqui, por isso sugiro que assistam e depois me digam o que acharam. Também achei muito diferente o enfoque dado ao relacionamento entre Blomkvist e Salander nas duas adaptações,  parecendo muito mais romântico na última.

Só sei de uma coisa: os dois filmes me deram uma imensa vontade (e curiosidade) de ler a trilogia.

 

 

Trailer estendido de 8 minutos:

 

Trailer da adaptação sueca

3 Comentários leave one →
  1. Carla permalink
    janeiro 29, 2012 0:24

    Eu crente que o título em português é que estava viajando, olha o preconceito.

  2. janeiro 29, 2012 12:11

    Beeeeeeeem, a cena final que te incomodou está no livro, exatamente aquilo. Na versão americana há algumas alterações em relação ao livro que, a meu ver, melhoram onde o livro enfraquece. Não vou escrever o principal pq seria um spoiler muito do escroto.

    • janeiro 29, 2012 12:16

      Ah sim, não sabia. Foi mais minha impressão mesmo. Definitivamente quero ler os livros.

      Fiquei curiosa pra saber qual era o comentário-spoiler, rs.

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